Negro - Índio - Sidnei de Oliveira
E capoeira – saravá,
Negro na roda é orixá,
Não adianta rodar, que no chão tu vai ficar.
Não perca tempo em gingar, que meu pai é Oxalá.
Fomos trazidos do lado de lá, para não mais voltar.
Eh... pelas ondas do mar, eh... na escuridão de um lugar.
Chegamos acorrentados, negros comprados, maltratados.
Por um homem que dizia ser, ser – superior,
Por causa da pele, da sua cor, da tonalidade branca sem valor.
Não adianta rodar, que no chão tu vai ficar.
Não perca tempo em gingar, que meu pai é Oxalá.
Padres, brancos europeus,
Vieram dominar, conquistar, matar, roubar.
Nós viramos escravos, fomos estuprados, assassinados,
Pela crença de um deus!
Nosso sangue é latino, é negro é índio.
Não adianta rodar, que no chão tu vai ficar.
Não perca tempo em gingar, que meu pai é Oxalá.
Vejo nos dias de hoje, eu, um índio, um escravo lutando pelo que é meu!
Tirados por um deus, por um rei e sua coroa dourada, de espinhos,
Prefiro um Orixá, da terra, das águas, das matas, do ar.
Meu Brasil onde vai parar? Meu Brasil onde vai parar? Na terra, na água, na mata, no ar!
Sou capoeira – saravá,
Negro na roda é orixá
(Ogum-iê meu pai, Ogum Beira-mar, Salve os pretos velhos, Pai Tomé, Xangô, Agô Tiriri)
https://www.youtube.com/watch?v=iScbjimdLXE&feature=youtu.be
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Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”
- Antoine de Saint-Exupéry
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