sexta-feira, 6 de março de 2015

PARABÉNS MurUrso!






Numa Toca encantada,

no Pântano da Desolação,

Nas primeiras chuvas de

Março,

Um estranho casal sondava os astros.

A Águia e o Leão.


      
A hora estava próxima...

Os movimentos já quase haviam cessado,

O destino já se contraia em compulsões -

os sinais já eram vistos, dos que haviam sido previstos.

E muitos outros viriam. Eles sabiam...

Nada tinha dado certo do que havia sido desejado para ser.

O destino, esse bárbaro, tomou a si as rédeas da situação e teceu sua teia de terror e medo,

Mas um Leão e uma Águia não se rendem facilmente.


Ele, na solidão de si, tudo fez, em sua ausência. Essa parte ninguém viu. Não há relatos nem testemunhas,

Ele a colocou em segurança - nas asas do destino.

Ela, na solidão em si, apagou seu brilho, recolheu as asas e deixou-se capturar

num sono sem sonhos, feito de escuridão e contrações de luz;

Entregou-se aos captores e elevou aos céus

seu mais pungente grito-lamento.

O destino uniu-se ao tempo.

Na intersecção dessa união o filhote viu sua última e derradeira oportunidade

e soube aproveita-la magistralmente -

num movimento único de cabeça,

como quem cabeceia a bola diante do gol e encobre o goleiro,

ele moveu o destino, driblou o tempo e esperou...


Foi o suficiente.

A aceitação, a renúncia e a silenciosa luta trouxeram ao mundo o Urso, pardo.

Separados eles estavam. Separados eles permaneceram.

Seus encontros foram sempre nos intervalos, nos momentos de intersecção e nas interseções entre o tempo e o destino.



O Leão, a Águia e o Urso acostumaram-se a falar em silêncio,

Numa linguagem de sentires e fazeres.


Viveram no pântano, na selva, nos andes - criaram para si uma high-way,

tão estranha como estranha era essa conjunção familiar afinal

Um Urso, um Leão e uma Águia são quase uma impossibilidade ecológica!



Mas quem um dia irá dizer que não existe razão nas coisas feitas com o coração?

Quem irá dizer?

O mundo lá fora continuou a girar. A Roda da Fortuna a se mover. O tempo a correr e se atropelar,

bomba nuclear, explosões atômicas, teste e muitas, muitas rolling stones...




Na Toca encantada o filhote crescia seguro, vivo e em silêncio;

e aprendia: sensível, rápida e silenciosamente.

O tempo passou. Um ciclo se fechou. O filhote estava pronto.

Forte e resoluto. Centrado e em paz.



A iniciação da infância chegou. Ainda no pântano, na selva.

A poeira das estrelas trouxe a ele uma alma irmã. Foram meses e incontáveis horas, minutos e segundos buscando a si e ao outro. E ele chegou e foi aceito.

A iniciação completou-se.

Um Trevo de quatro folhas, Andarilho das estrelas era agora a quarta parte daquela mais estranha ainda constelação familiar.


Mas o destino, essa bárbaro, já tinha suas artimanhas

e ele acelerou o tempo. E tudo passou rápido demais, congestionado demais,

superficial demais.


Outro ciclo se fechou e eles alçaram voo. E a Toca encantada mudou-se com eles -

como Sambhala faz, de tempos em tempos.

Escondidos no seio da Natureza eles puderam descansar e curar as marcas que o destino, esse bárbaro, deixara cravadas neles.



O menino-Trevo cresceu no mato. O Urso adolescentou-se. O Leão se refez e a Águia...

sobrevoava silenciosamente sobre paragens e destinos.

Mas ursos, ursos pardos ou polares,

são lobos solitários

e um dia esse tinha que partir.

E partiu.



Corações partidos

não são bons conselheiros

nem bons Guardiões...



Então, o menino-Urso foi elevado à condição de adulto.


O menino-Trevo compartilhou remédios.

Remédios das estrelas para feridas não serem lambidas,

para corações não sangrarem 

e para o não esquecimento de

que as primeiras coisas vem em primeiro lugar.


O Urso, O Leão, a Águia e O Trevo!

Quem diria.... sobrevivem até hoje!




E hoje,

hoje é aniversário do Urso, batizado MuUrso por si mesmo,

numa auto iniciação secreta, secretíssima.

Sem ouvintes e sem testemunhas,

na selva onde ele vive até hoje.


A Águia pousou. O Leão pousou. O Trevo criou raízes. O Urso formou-se xamã de si mesmo.

No tempo etéreo, no cume da Montanha Sagrada,

donde se avista toda a savana,

um Leão ergue em seus braços um MuUrso

e mais uma vez o apresenta ao mundo

no seu leonino falar silencioso ele murmura:

- Todos os Deuses te saúdam Filho do meu coração!




Um arco íris circunda as terras de África. Um arco íris engloba a savana, a selva, o pântano, os andes.

Todos os deuses o reconhecem e nele reconhecem todos os meninos-ursos.


* Longe é um lugar que ainda existe e como só se faz bem o que se faz com o coração esse bardo agora canaliza uma mensagem e uma visão,

interrompendo tão singular história:

"A Toca encantada envia um Salve!


Salve Muiambo! Salve Oxumarê!

Salve Ogum e Salve Oxóssi!

Salve Ossanha!

Salve Mulambão!

Um Leão, uma Águia.

Um menino-Urso.

Um menino-Trevo.

Uma Oliveira Sagrada em solo sagrado.

O Conselho ancião reunido.

Duas crianças-Cristais. Dois diamantes sagrados.



Outra mensagem:

"Houston!

Hoje a cerveja quente é por minha conta

em Reai$,  Sou Eu quem paga!

em bit$, manda pras estrelas;

em K$, ah! esse K.! Marca aee que a gente acerta logo menos.


Que haja samba no Barracão do Samba!

Logo menos a gente se vê filhãoMurUso!"

Estranha mensagem, numa estranha criptografia de uma estranha constelação estela-familiar.



Mas só sei que foi assim...

so far, far away um Urso nasceu, cresceu belo e vistoso,

tornou-se em MurUrso e hoje comemora-se seu aniversário.



As luzes da boate acesas me trouxeram recordação

estas fizeram-se pedir ao garçom papel

de pão de padaria ou uma seda de cachorro quente

e escrever essa contação de estória ursística mulambesca.



Digo estória por que é vida e vivência de bicho

se fosse vida e vivência de gentes seria História.

E os anéis da fumaça que sobe me fizeram lembrar

desse um tudo

que me contara um dia

o irmão do Urso,

as time goes by.


Esse bardo, neófito na canalização de mensagens

as recebe num sentir

então se perde o remetente



mas não se perde a certeza, guardada no coração

que ao MurUso elas serão entregues

de um jeito e de outro, não.




 "Mil cairão à sua direita. Mais mil se erguerão à sua esquerda. Mas se a base é boa a música se sustenta."



"Aloha! Fumaça de maçã, sálvia e alecrim para alegrar a noite e defumar o abadá!"


"E você que é Índigo, tornado Cristal,

na mais pura impossibilidade de ser puro Índigo,

receba: Skywalker são todos. Todos os que vivem o sonho de sair na última astronave."


"E a sua pequena Eva vos diz que além do infinito que nos dá

há forças pra viver"

"E voando bem alto - Eva!"







Essa bardo se despede.

Não há como terminar essa H.estória...

É uma história-sem-fim contada desde remotos tempos

em que bardos surgiram nas terras da Cornualha e reapareceram nas Terras Médias,

longe da medições do tempo.



"Garçom, a conta! a segunda de hoje, nesse dia que maul começou.!"


"Você hoje faz anos por que Deus assim quis

2+ 9 = 11

Eu confirmo o que cê quis."


Eu sou Athena, a bardo,  

e contei essa História,

aqui nas Terras Médias;




 Sobre meninos e ursos e trevos e leões.

E sobre águias e poeiras estelares.





Quem souber que conte outra...   




Pois assim já foi escrito:

"lendas se contarão a seu respeito

e ao buscar separar o joio do trigo,

o real do verdadeiro,

os homens viverão dias de guerra e dias de paz,

mas tu, tu permanecerás."


A Toca, 06 de Março de 2.015DC
Tatuí, São Paulo

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- Antoine de Saint-Exupéry

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