sábado, 7 de fevereiro de 2015

Sobre Euforia, Depressão e Pânico

  • – SAMÁDHI PÁDÁH – TRILHA DA HIPER CONSCIÊNCIA


    (Trecho retirado do livro Yôga Sútra de Pátañjali, DeRose)


    I – 1
    “Agora, o ensinamento do Yôga.

    I – 2
    Yôga é a supressão da instabilidade da consciência.

    I – 3
    Quando isso é alcançado, o observador conscientiza-se da sua própria identidade.

    I -4
    Caso contrário, ele se identifica com a instabilidade.

    I – 5
    A instabilidade é de cinco tipos, alguns dolorosos e outros não-dolorosos.

    I – 6
    São eles: conhecimento correto, conhecimento equivocado, conhecimento baseado na imaginação, no sono e na memória.

    I – 7
    O conhecimento correto é obtido pela percepção, pela dedução e pelos relatos de reconhecida autoridade.

    I – 8
    O conhecimento equivocado é o que se baseia na aparência e não na natureza real.

    I – 9
    O conhecimento baseado na  imaginação é causado por palavras destituídas de realidade.

    I – 10
    O conhecimento baseado no sono é aquela instabilidade que se estabelece na ausência de perceptibilidade.

    I – 11
    A memória é a não-extinção de experiências passadas.

    I – 12
    Todas essas instabilidades são controladas através de abhyása (prática diligente) e de vairágya (desprendimento).

    I – 13
    Abhyása (a prática diligente), consiste no enérgico afã de conquistar a estabilidade.

    I – 14
    Esta, porém, alicerça-se solidamente só com a prática diligente cultivada por um longo tempo, sem interrupção e com profunda dedicação.

    I – 15
    Vairágya (desprendimento) é quando subjulga-se a compulsão pelas dispersões que venham a ser vistas ou ouvidas.

    I – 16
    Isto proporciona a mais elevada consciência do Homem (Púrusha), no qual cessam os gunas (atributos).

    I – 17
    Atinge-se, então, o samprajñáta samádhi (ou primeiro estágio da hiperconsciência) que compreende racionalidade, discriminação, felicidade e noção do eu.

    I – 18
    Há outro estado (asamprajñata samádhi), alcançado pela prática constante, no qual ocorre a cessação da instabilidade e o único que permanece são os samskáras (impressões residuais de experiências vividas no passado).

    I – 19
    Esse estado pode ser obtido por nascimento, por extra-sensorialidade ou pela dissolução da Prakrti.

    I – 20
    Outros atingem o samádhi por meio da fé, da energia viril, da memória e do conhecimento.

    I – 21
    Ele está próximo para os que o anseiam com intensidade.

    I – 22
    Os frutos desse anseio serão proporcionais à sua intensidade, seja ela branda, média ou forte.

    I – 23
    Ou também pode ser obtido (o samádhi) através da auto-entrega.

    I – 24
    Íshwara é um Púrusha especial, não afetável pelas aflições, nem pelas ações ou suas consequências e nem por impressões internas de desejos.

    I -25
    Nele está a semente da onisciência.

    I – 26
    É também o Mestre do mais antigos Mestres, pois não está limitado pelo tempo.

    I – 27
    Ele é conectado pelo mantra OM (Pranava).”

     https://lucianeogata.wordpress.com/2011/04/18/samadhi-padah-trilha-da-hiperconsciencia/





    Sabe aquele ditado que diz que o que você mais procura está bem na frente dos seus olhos?
    Pois é. Foi assim que aconteceu
    Procurei o samadhi. O Nirvana. Queria realizar que a vida era Lila. Queria a extra sensorialidade.
    Até que num dia uma outra realidade se abriu diante de mim. Isso mesmo.
    Comecei a "ver" pessoas que estavam a quilómetros de distância, a conversar com elas.
    Comecei a "perceber" dimensões dentro da normalidade aparente.
    Foi tão simples e tão dentro da normalidade que não coube dentro da visão que eu tinha de samádhi, de nirvana.
    Hoje eu sei que não foi um sááámaaadhi.
    A semente da ignorância persistiu, não se iluminou.

    Todas as instabilidades de que Pátañjali fala, dolorosas e não-dolorosas fizeram uma reviravolta em minha vida, em meu mundo...
    Faltou-me o desprendimento.

    Era tão bom "ver" o amor, era tão bom "saber" de tudo. A vida era Lila. Era Ágape.
    Só que não era. Era euforia.
    Os tão almejados sonhos lúcidos também chegaram. Mas não só dormindo.
    As dispersões, vistas ou ouvidas, não foram acompanhadas de discriminação.
    E os gunas se alternavam.
    Êxtase. Ananda. Euforia. Letargia. Cansaço. Depressão.
    E medo. Medo de tudo, até dos sonhos.
    Pânico!
    E o samsara era tangível.
    E a busca pelo conhecimento correto era intensa, constante e fonte de extremo desgaste.
    E a ninguém cabia o título de "reconhecida autoridade". Exceto ao médico quando me fazia ver o sofrimento de meus familiares.
    Hoje eu tenho outra visão. Passei por uma transformação. Alcancei um estado de consciência que me era desconhecido e com essa consciência vieram outras percepções. Mas na época eu não sabia, ninguém sabia ou melhor, pode ser até que todos soubessem mas a maneira como eu colocava as coisas era muito confusa.



  • Então hoje consigo lidar bem com essas percepções, externas e internas. Não me sinto mais super poderosa ou a mais desgraçada das criaturas.
    Acredito que encontrei um centro. Um ponto interno onde as coisas fazem sentido e possuem um determinado tamanho. Não me sinto igual. Sei que valorizo demais algumas coisas e desvalorizo outras. Estou aprendendo.


  • E o pânico... o pânico não deixou de existir e descobri como é que a gente realmente consegue viver parte da vida sem nunca ter pensado nisso...
    Mas ele não é real, não no sentido concreto, de vida física.
    O medo é físico, concreto. Medo de ficar doente, apreensão quando um filho demora para voltar para casa, medo quando o carro derrapa, medo de morrer. Normal. Faz parte de nosso instinto de preservação, da nossa natureza, do instinto maternal.
    Mas o pânico é interno. Ele não tem um referencial fixo, concreto, que possa ser apontado ou medido. É pânico simplesmente, um estado de terror generalizado.
    Hoje acredito que o pânico é devido às nossas vivências internas, como pesadelos, dos quais a gente não se lembra ao acordar mas que deixam aquela impressão, aquele aperto indefinido. Acredito que ele sempre existiu mas num nível muito profundo, inconsciente. E que não chega nunca a ser realmente definido.



  • Me parece que o pânico surge também de uma nova consciência.
    Você percebe ou intende que algo existe, sua consciência fica um tanto mais ampla e abrange uma parte desconhecida da existência.
    O sistema emocional por exemplo. De repente você se pega avaliando a violência que existe no mundo. Você não consegue elaborar e nem explicar mas você "sente" que "sabe" que é algo que está por ai, "sente" que ela pode te encontrar em qualquer lugar, até "dentro" de você, de seus pensamentos.
    Mas não é assim. É só algo que você não sabia que existia. Uma emoção, um sentimento que você desconhecia e que agora tem que aprender. Aprender a discernir. Aprender a lidar.


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Deixam um pouco de si, levam um pouco de nós”
- Antoine de Saint-Exupéry

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